Reproduzo, abaixo, texto de Carlo Petrini informando sobre os temas em debate no próximo congresso do Slow Food, movimento ao qual me filiei em fevereiro. Há abordagens bem interessantes no documento. A íntegra do texto pode ser lida a partir deste link:  documento do congresso

De 25 a 29 de outubro, em Turim, nos mesmos dias do Salone del Gusto e do encontro do Terra Madre, terá lugar o Congresso Internacional do Slow Food. Pela primeira vez, um documento congressual será traduzido nos idiomas dos inúmeros países onde o Slow Food está presente: mais de 50. O documento será distribuído aos sócios, aos conviva e às comunidades, transmitido à mídia, às instituições político-culturais e às demais organizações que lutam pela defesa do meio ambiente, dos bens comuns e dos direitos primários.

A ideia é que o documento fique aberto, para incentivar um debate mundial capaz de estimular o grande potencial que, graças à diversidade, o Slow Food e a rede do Terra Madre representam.

A diversidade não se governa, ama-se; o compartilhamento de ideias é um ato de liberdade. União e diversidade podem andar de braços dados, progredindo juntas. No documento tentamos tocar no coração desses conceitos, fazendo o possível para que sejam compreendidos em qualquer meio cultural. Caberá a cada convivum ou comunidade enriquecer o documento com sua própria experiência pessoal.

No início era uma ideia que parecia apenas uma intuição genial, mas ao longo do tempo se tornou uma certeza compartilhada: a centralidade do alimento. Um ponto de partida extraordinário para uma nova política, uma nova economia, uma nova sociabilidade. Esta certeza foi crescendo com o tempo, não somente no Slow Food e na rede do Terra Madre, mas em todas as regiões do mundo, aumentando a consciência de milhões de pessoas.

A centralidade do alimento: porque temos a certeza de que o direito ao alimento é um direito primário da humanidade, capaz de garantir a vida não só do gênero humano, mas de todo o planeta. Precisamos lutar pelo direito ao alimento e para erradicar a fome, assim como se lutou para acabar com a escravidão: já não temos mais tempo a perder.

Com o alimento no centro das atenções, há mais oportunidades para preservar a fertilidade do solo e a salubridade da água e do ar, para defender a biodiversidade e a paisagem, para defender a nossa saúde, a nossa consciência e a nossa memória; para que resgatar prazer, sociabilidade, convívio, e compartilhamento. Todas estas oportunidades serão em vão se não aceitarmos a volta à terra, a luta contra o desperdício, a construção de economias locais e a importância de uma educação permanente. Precisamos reafirmar o direito universal ao alimento.

Carlo Petrini, Presidente do Slow Food Internacional 

Divulguei e fui conferir o Chefs na Rua durante a Virada Cultural, neste final de semana (dias 5 e 6 de maio). Deixei minhas opiniões sobre o evento registradas no Facebook e estava ensaiando juntá-las num texto mais completo para postar aqui no blog.

Mas hoje entrei no site da Menu –uma das revistas de gastronomia que eu assino– e encontrei por lá um artigo escrito pela competente dupla Beatriz Marques e Pedro Marques. O texto diz –sem falso exagero– exatamente o que eu queria dizer sobre esta primeira experiência do Chefs na Rua. Então ao invés de repetir os mesmos argumentos, reproduzo abaixo o texto da Bia e do Pedro. Só acrescentaria duas outras observações:

1-) Acho que não tem muito sentido fazer todo o marketing do evento, inclusive as faixas em cada barraca, destacando apenas o nome dos chefs. Primeiro porque o público da Virada não é um público só de gourmets que acompanham as carreiras destes cozinheiros. Quem estava lá queria saber o que cada barraca estava oferecendo e não quem era o “chef” responsável. Além disso, acho uma puta injustiça com a equipe que trabalha no restaurante ver todo seu trabalho sintetizado apenas no nome do patrão que, diga-se de passagem, às vezes nem chega perto da panela que preparou a comida, como é o caso do próprio Atala.

2-) Ainda que tenham ocorrido problemas, o saldo final da atividade é amplamente positivo e torço para que eventos deste tipo se repitam mais vezes. Além disso, seria legal se os 20 restaurantes que estiveram lá colocassem os quitutes oferecidos no evento em seus cardápios, caso eles já não estejam lá. Eu, por exemplo, estou até agora salivando de vontade de comer o hambúrguer de pato com maionese trufada, que já tinha acabado quando cheguei no Minhocão. Os restaurantes não precisam cobrar o mesmo preço que cobraram no Chefs na Rua, mas um precinho camarada seria bem-vindo. Fica a sugestão.

No mais, assino embaixo o texto a seguir:


Lições do Chefs na Rua

Por Beatriz Marques e Pedro Marques

A festa foi grande. O evento Chefs na Rua, que fez parte da Virada Cultural deste final de semana, deu o que falar. Foram 22 chefs de cozinha que deixaram seus restaurantes para preparar comidas em barracas no elevado Costa e Silva, o popular Minhocão, na região central de São Paulo.

Os episódios que se sucederam já são de conhecimento de boa parte dos leitores. Mas o importante é frisar os pontos positivos e negativos da empreitada.

A galinhada de Alex Atala já era uma tragédia anunciada. Comida de graça para alimentar somente 500 bocas, numa madrugada fria de uma cidade em que a comida de rua é proibida, só poderia dar confusão. Ainda mais se somada à fama do chef, que é ícone para admiradores da cozinha e levou muitos deles ao evento somente para vê-lo – vale lembrar que na semana passada, o D.O.M., restaurante da Atala, havia sido eleito o 4º melhor do mundo, pela revista inglesa Restaurant. Uma questão: por que só duas atrações (Alex Atala e Erick Jacquin, com a sopa de cebola) foram programadas para a noite? Com mais barracas, sem dúvida a multidão se dissiparia de forma mais ordenada.

A bagunça começou na falta de informação. Ao chegar ao Minhocão, pela alça da rua Helvétia, não havia um cartaz sequer falando do evento, indicando a direção. A fila gigantesca formada era de dar pena. Afinal, as senhas para a retirada da galinhada já haviam sido distribuídas, mas ninguém da organização fez o favor de avisar. Uma grade com alguns seguranças separavam a multidão da barraca da galinhada, onde os cozinheiros da equipe de Atala iniciavam os preparos. Mas à 0h, a aglomeração era enorme e a fila já não tinha mais regra. E o pior: outra alça de acesso ao Minhocão foi aberta e muitas pessoas conseguiram chegar próximo à barraca, o que deixou o povo “engaiolado” revoltado. Por isso, não demorou muito para a invasão total acontecer. Muitos que tinham a senha, não conseguiram garantir sua marmita. E outros que passaram horas na fila, nem conseguiram chegar perto da barraca, muito menos ver o chef-celebridade: a organização recomendou que Atala não aparecesse, por questões de segurança. Revolta com razão.

Agora, será que a organização da Virada Cultural não sabia que uma multidão era prevista para o Chefs na Rua? O evento O Mercado, que aconteceu semanas antes, deu uma dimensão do interesse do público para conhecer e provar as comidas de chefs renomados. Falta de aviso é que não foi…

No domingo, o evento parecia estar mais controlado. Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelos chefs, como as barracas não estarem prontas no horário combinado, falta de pontos de eletricidade e de funcionamento de equipamentos, todos se mostraram animados, mesmo cansados. Logo cedo, por volta das 10h, o Minhocão já estava relativamente cheio, com muitas pessoas provando os pratos ou petiscos criados pelos chefs e algumas barracas lotadas, como a de Raphael Despirite, do Marcel, que servia uma versão afrancesada do cachorro-quente, ou a do hambúrguer de pato, de Renato Carioni, do Così.

Por volta do meio-dia, a desorganização voltou a trazer problemas para quem tentava provar as comidas levadas ao Centro. Todas as barracas vendiam tíquetes, o que ocasionou dois tipos de fila: uma para comprar o tíquete e outra para pegar a comida. As antigas quermesses estão aí para mostrar a lição: caixas precisam ser independentes das barracas. Compram-se as fichas em locais isolados – poderiam estar em cada ponta do evento, para os visitantes se abastecerem de tíquetes logo na entrada, para então ficar em uma só fila, na barraca desejada.

Outra dúvida: por que deixar as barracas tão próximas umas das outras? O tumulto era grande, pois as filas se fundiam, não sabia onde terminava uma e começava outra. Não dava para transitar entre pessoas que tentavam comer, outras com crianças de colo ou carregando bicicletas. Se tivesse mais espaço entre as barracas, o fluxo seria melhor sem dúvida – e pelo tamanho do Minhocão, espaço não era o problema.

A boa notícia é que muitos visitantes estavam satisfeito com o que comiam – reflexo do árduo esforço dos chefs participantes  –  e, mesmo com todo o tumulto, a alegria prevalecia entre os comensais. São Paulo é carente de comida de rua e eventos como esse deram um suspiro de esperança para aqueles que querem conhecer mais os sabores que a cidade tem a oferecer. É mais um alerta para que a comida de rua seja liberada na capital paulista e que não precisemos esperar mais um ano para um evento como esse acontecer. Afinal, a gastronomia é cultura e cultura é para todos. Sem distinção de classes.

Fonte: http://revistamenu.terra.com.br/2012/05/07/licoes-do-chefs-na-rua/

Eu sei que todo mundo já falou disso. A informação está em todo lugar. Mas este blog não poderia deixar de registrar a bela iniciativa de incluírem a gastronomia na programação da Virada Cultural  A experiência recente “O Mercado“ mostrou que há uma grande demanda por comida gourmet a preços camaradas e esses eventos podem ser a faísca que precisávamos para desencadear um movimento de valorização da comida de rua em São Paulo.

O evento Chefs na Rua: Mercado e Cultura Gastronômica, que acontecerá na madrugada deste sábado (5) para domingo e durante todo o dia de domingo (6), une a alta gastronomia com a comida de rua, oferecendo a oportunidade de saborear pratos simples feitos por chefs famosos e suas brigadas. São ao todo 21 barracas com chefs convidados oferecendo pratos de R$ 5,00 a R$ 15,00. O preço médio é de R$ 10.

Chefs na Rua acontece no viaduto Presidente Costa e Silva, o famoso “Minhocão”, sobre a Amaral Gurgel. Os metrôs mais próximos são o Santa Cecília ou Marechal Deodoro – acesso pelas ruas Sebastião Pereira (altura do número 90), Ana Cintra (altura do 200) e Helvétia (altura do 800). O viaduto, obviamente, estará fechado para o trânsito.

Informação importante:  as barracas só aceitarão dinheiro como pagamento. 

Abaixo, procurei reunir o máximo de informações sobre as opções disponíveis no evento, destacando as comidinhas e não os chefs, afinal a maioria do público que frequenta a Virada está interessada no que vai ser servido e não em quem “assina” a receita. A galinhada do Dalva e Dito, por exemplo, apesar de vir com a grife do famoso Alex Atala, é uma receita de Geovane Carneiro, sub-chef de Atala no D.O.M. Entusiasta da comida de rua, Atala dará uma passadinha pelo evento.

O mapa ao lado (gentilmente surrupiado do UOL) mostra como estarão dispostas as barracas. E as fotos disponibilizadas pela organização ajudam a abrir o apetite, mas não se empolgue muito com estas fotografias. Num evento de rua os quitutes precisam ser servidos em embalagens descartáveis e é difícil deixá-los tão atraentes como nas fotos. Ainda assim, são todos eles ótimas pedidas.
É claro que ninguém aguentaria provar todas as comidinhas ofertadas –e teria que gastar muito para isso– então é legal estabelecer critérios na escolha do que comprar. Coloquei em vermelho aquelas que, na minha opinião, oferecem o melhor custo-benefício por serem comidinhas mais elaboradas com bom preço.

Além do projeto Chefs na Rua, a Virada Cultural terá dez bolsões de alimentação espalhados pelo Centro. E o Sesc Consolação oferecerá comida mexicana durante a Virada.

Aos que passarem pelo Minhocão neste final de semana, bom apetite!

  • BARRACA A

GALINHADA 
Restaurante: Dalva e Dito (chef Alex Atala)
Horário: das 24h às 2h (madrugada de sábado para domingo)
Obs.: Serão servidas apenas 500 porções. No portal UOL diz que estas 500 porções serão gratuitas. A confirmar.

SOPA DE CEBOLA (R$ 12,00)
Restaurante: Brasserie Erick Jacquin (chef Erick Jacquin)
Horário: a partir das 02h00

Aa barracas listadas abaixo funcionam a partir das 8h do domingo (6) até terminar a Virada (18h) ou esgotarem os quitutes:

  • BARRACA 1

- PUCHERO À LOVE STORY (R$10) – ensopado espanhol à base de carnes, grão de bico e legumes
Restaurante: Bar da Dona Onça (chef Janaína Rueda)

  • BARRACA 2

BURACO QUENTE DE PICADINHO (R$10) - sanduíche de picadinho campeão no pão francês
CALDO CABEÇA DE GALO (R$ 10) - tradicional na cozinha Paraibana com frango desfiado, legumes, milho e salsinha
Restaurante:  Na Cozinha (chef Carlos Ribeiro)

  • BARRACA 3

-  ARROZ DE CARRETEIRO COM PIPOCA (R$ 10) – prato tradicional gaúcho com arroz, carne seca e linguiça, neste versão inusitada acompanha pipoca
Restaurante: Oryza (chefs Marcio Silva e Daniela Amendola)

  • BARRACA 4

- CHORIPAN com molhos variados. de Frango (R$ 7), de Linguiça (R$ 10) e de Carne (R$ 10). Choripán (do espanhol chorizo e pan), também chamado de chori, é um sanduba comum na Argentina que consiste em duas fatias de pão, entre as quais é colocada um chouriço, linguiça ou salsicha, geralmente temperado com chimichurri ou salsa criolla.
Restaurante: Cevicheria Gonzales (chef Checho Gonzales)

  • BARRACA 5

TOSTADAS (R$ 10) - de cochinita pibil (carne de porco assada com suco cítrico) ou tradicionales (de queijo com cebola)
COSTELINHAS DE PORCO (R$ 15)
CALDITO DE TRASNOCHADOS ( R$ 8 )
GUACAMOLE COM TOPOPOS (R$ 10)
Restaurante: La Cocinera Atrevida (chef Lourdes Hernández)

  • BARRACA 6

- AREPAS (quitute tradicional na Venezuela, lembra uma panqueca alta) recheada de barriga de porco (R$ 10), de frango (R$ 10) e de queijo (R$ 8).
- CEVICHE CLÁSSICO (R$ 12) – prato típico peruano, a base de peixe marinado no limão
Restaurante: Suri Ceviche Bar (chef Dagoberto Torres)

  • BARRACA 7

PÃO DE QUEIJO (R$ 5) - um dos melhores da cidade, feito com o legítimo queijo Canastra
Café com pão de queijo (R$ 10)
Café com Bolos Da Venda (R$ 10): fubá com goiabada, limão, chocolate
Restaurante: Lá Da Venda (chef Heloísa Bacellar)

  • BARRACA 8

SANDUICHE PERNIL DAS ARÁBIAS (R$ 10) - ciabatta com recheio de pernil assado em escabeche
SANDUICHE VIRADA PICANTE (R$ 9) - pão sírio, frango defumado na serragem de goiabeira, pasta de queijo, chutney de manga e damasco picante.
Restaurante: Lena Labaki Catering (chef Paula Labaki)

  • BARRACA 9

MONTADITOS y TAPAS
Pa amb tomàquet (pão com tomate) R$ 5,00
Pa amb tomàquet i Pernil (pão com tomate e pernil)  R$ 10,00
Pa amb tomàquet Manxego (pão com tomate e queijo manchego) R$ 10,00
Montadito de Anchova R$ 10,00
Almendras fritas (amêndoas fritas) R$ 10,00
Montadito de Pulpo (polvo) R$ 15,00
Montadito de Gambas (camarões) R$ 15,00
Montadito de Tortilla R$ 10,00
Montadito de Chorizo R$ 10,00
Aceitunas (azeitonas) temperadas R$ 5,00
Restaurante: La Tapa Bar (chef Danilo Rolim)

  • BARRACA 10

SALADA DE BACALHAU (R$ 15) - com grão de bico e vinagrete de pimentões assados
- BOLINHOS DE BACALHAU (R$10 – 4 unidades) - com molho de emulsão de salsa e citrinos
Restaurante: Tasca da Esquina (chefs Vitor Sobral e Hugo Nascimento)

  • BARRACA 11

KOMBINADO DA VIRADA (R$ 15) - Sushis e enrolados Califórnia, Skin, Sushi de Salmão, Uramaki de Salmão.
GUIOZA (R$15)
Sunomono de Lula (R$ 10) - salada de pepinos em molho agridoce, acrescido de frutos do mar
Temaki de Salmão (R$ 15)
Restaurante: Nakombi (chefs Leandro Freitas e Henry Miguel Caceres)

  • BARRACA 12

STEAK TARTARE (R$ 10)
BATATA PROVENÇAL (R$ 5)
Restaurante: Allez, Allez! (chef Luiz Emanuel)

  • BARRACA 13

HOT DOG à FRANCESA (R$ 12) - baguette com salsicha tipo frankfurter, molho bechamel, queijo gruyère e mostarda dijon
Restaurante: Marcel (chef Raphael Despirite)

  • BARRACA 14

- BARBECUE RIBS (R$ 15) -costelinha de porco assada e grelhada com molho barbecue e milho verde
Restaurante: 210 Diner (chefs Benny Novak e Livia Calixto )

  • BARRACA 15

ESPETINHOS GOURMET de Polpetini (bolinha de carne) de cordeiro (R$ 12)
Frango caipira com queijo mineiro (R$ 5)
Polpetini de carne (R$ 5)
Restaurante: Oliva Restaurant (chef Marco Soares)

  • BARRACA 16

HAMBÚRGUER GOURMET (R$ 15) - carne de pato e maionese trufada
Restaurante: Cosí (chef Renato Carioni)

  • BARRACA 17

TRIO DE GULOSEIMAS (R$10) - Mini Monkey Brownie, Quindim com nozes, Copinho de arroz doce com doce de leite e coco.
Restaurante: Las Chicas (chef Carolina Brandão)

  • BARRACA 18

- DADINHOS DE TAPIOCA (R$ 10)  * Das 8h às 12h
- BAIÃO DE DOIS  (R$ 10)  **Das 12h às 20h
Restaurante: Mocotó (chef Rodrigo Oliveira)

  • BARRACA 19

- SANDUÍCHE DE COPA LOMBO (R$ 10) - com vinagrete de maçã e queijo meia cura
Restaurante: Sal Gastronomia (chef Henrique Fogaça)

  • BARRACA 20

- POLENTA CREMOSA (R$ 15) - com cogumelo crocante ou com ragú de linguiça de javali
Restaurante: Marcelino Pan Y Vino (chef Daniela França Pinto)

No último final de semana, representantes da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) participaram da 10ª edição do Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, em Belém (PA), um dos mais importantes festivais gastronômicos do país. É que a Embratur quer estreitar o contato com os representantes deste setor tão importante para o turismo, os chefs de cozinha. “Queremos transformar os sabores tão típicos de nossa cultura também parte dos atrativos turísticos do país”, explica o presidente da Embratur, Flávio Dino.

Durante o evento, o responsável pela promoção internacional do turismo de cultura na Embratur, André Vilaron, encontrou-se com chefs reconhecidos como Alex Atala, Bel Coelho e José Barattino. “Queremos apresentar nossos objetivos e ouvir as demandas do setor, esta é a base para montar um plano efetivo de promoção no exterior, que terá o apoio do Ministério do Turismo”, afirma Vilaron.  De acordo com ele, o retorno recebido dos profissionais foi positivo e a disponibilidade em formar parcerias foi unânime. “Precisamos promover a culinária de uma maneira real, com todos seus aspectos positivos, sem estereótipos. Não podemos agir de maneira reducionista, mostrando somente caipirinha e feijoada. Por isso esse contato é tão importante”, complementa.

Apesar de ainda estar na fase de aproximação com o setor, a ofensiva de promoção da gastronomia brasileira foi iniciada em janeiro, quando a Embratur promoveu um evento para divulgar a culinária brasileira na Espanha. Na ocasião acontecia em Madri a Fitur (Feira Internacional de Turismo), um dos maiores eventos de turismo da Europa, e a chef Mara Alcamin foi responsável pelo coquetel oferecido a formadores de opinião e profissionais de turismo.

A Alemanha também já foi palco para a cozinha brasileira. Lá foi realizado, no início de março, o Taste of Brazil, evento que levou a chef Morena Leite para dar uma aula de gastronomia a jornalistas de Berlim. De acordo com Vilaron, a intenção é levar a gastronomia brasileira a outros eventos internacionais que tenham a participação da Embratur.

Motivação

Inspirada no exemplo de outros países que se tornaram grandes cases de sucesso gastronômico, como o Peru e a Espanha, a Embratur quer reforçar a imagem do país como um destino de sabores únicos. “Temos uma grande diversidade de temperos e pratos ricos em sabores e cultura. Isso com certeza pode ser transformado em um atrativo turístico”, completa Vilaron.

Outro incentivo para a Embratur é a percepção que os turistas estrangeiros têm da gastronomia brasileira, já que 95,5% avaliaram positivamente a nossa cozinha. O dado faz parte da Demanda Turística Internacional de 2010, produzida pela FIPE a pedido do Ministério do Turismo. A pesquisa tem outros resultados significativos, como a perda de espaço da cultura, frente a opções de sol e praia e turismo de aventura, na motivação de viagem dos estrangeiros. “Nossa ideia é reforçar o potencial dos destinos de turismo cultural por meio da promoção da gastronomia brasileira”, destaca André.

Fonte:  Aquarela 2020 (Blog da Embratur)

Pela primeira vez, o Brasil terá um movimento institucional exclusivo de valorização da gastronomia nacional. O fato aconteceu na terça-feira (03/04/12), em Brasília, na primeira reunião oficial entre o Ministério do Turismo e representantes da recém-instituída ‘Associação Brasil à Mesa’, liderada pela chef Mônica Rangel. Estiveram presentes Ricardo Moesch (diretor do Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turísticos – MTur), Rosiane Rockenback (coordenadora geral de Serviços Turísticos – Cadastur), Wilken Souto, (coordenação geral de Segmentação – MTur) e André Vilaron (assessor da presidência da Embratur).

Este é o primeiro passo para um estreitamento de laços entre o governo federal e uma entidade representativa de profissionais do mercado brasileiro que trabalham exclusivamente com a valorização da gastronomia regional do Brasil. Esta parceria se dará por meio da criação do Grupo de Turismo Gastronômico (GTG), com integrantes das esferas pública (como Mtur, Embratur e Sebrae) e privada (Associação Brasil à Mesa), que terá como objetivo preservar, desenvolver e promover em diversos âmbitos a cultura culinária brasileira e seus atores. “Hoje conseguimos uma grande vitória em prol da gastronomia do Brasil”, comenta Mônica Rangel muito animada.

Durante a reunião, ficou definido que o lançamento oficial do GTG será durante o próximo ‘Festival Gastronômico de Visconde de Mauá’, nos dias 18, 19 e 20 de maio, com a participação de diversos chefs ligados à nova associação.

A ‘Brasil à Mesa’ está em processo final de criação, e será constituída por um conselho executivo, um fiscal e um deliberativo, que serão os interlocutores com o Grupo de Turismo Gastronômico. Além disso, cerca de 20 chefs de 12 estados brasileiros foram convidados a participar da constituição inicial da associação, que prevê ainda receber o apoio de mais profissionais do setor.

A intenção é que a associação se reúna periodicamente para pensar estratégias e ações que valorizem os insumos brasileiros, preservem nossa cultura culinária, incentivem a pesquisa e ainda auxiliem no desenvolvimento de pequenos produtores e dos profissionais do setor. Visando também um enriquecimento da promoção da gastronomia brasileira tanto no país quanto no exterior.

Os nomes que já fazem parte da ‘Brasil à Mesa’ são: Alice Mesquita, chef executiva (DF); Ana Bueno, Banana da Terra (RJ); Ariani Malouf, Mahalo (MT); Bel Coelho, Dui (SP); Carla Pernambuco, Carlota (SP); Carlos Ribeiro, Na Cozinha (SP); César Santos, Oficina do Sabor (PE); Dalton Rangel, Emiglia (SP); Daniela Martins, Lá em Casa (PA); Flávia Quaresma, consultora (RJ); Heiko Grabolle, consultor (RS); Juarez Campos, Oriundi (ES); Marcia Pinchemel, chef executiva (GO); Mônica Rangel, Gosto com Gosto (RJ); Roberta Sudbrack, homônimo (RJ); Rodrigo Martins, Vino! (SP); Rodrigo Oliveira, Mocotó (SP); Tereza Paim, Terreiro Bahia (BA); Teresa Corção, O Navegador (RJ); Thiago Castanho, Remanso do Peixe (PA); Thomaz Troigros, CT Brasserie (RJ); Wanderson Medeiros, Picuí, (AL e SE).

Toda esta movimentação começou no ano passado, quando Mônica Rangel deu início ao seu protesto referente à Portaria 100 do Ministério do Turismo. O documento – de julho de 2011 – instituiu o ‘Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem’ (SBClass), estabelecendo critérios de classificação destes, criando o ‘Conselho Técnico Nacional de Classificação de Meios de Hospedagem’ (CTClass) e outras providências para o setor.

Dentro destas definições, Mônica começou um questionamento acerca da importância de se valorizar os restaurantes de cozinha regional nos hotéis, já que nos critérios de avaliação, para receber cinco ou quatro estrelas é exigido um restaurante de cozinha internacional no estabelecimento. A inquietação da chef culminou em um contato direto com o presidente da Embratur, Flávio Dino, e também com o diretor do Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turísticos do MTur, Ricardo Moesch. Após alguns encontros, em janeiro deste ano, as instituições federais convidaram a chef para colaborar diretamente na promoção, preservação e desenvolvimento da gastronomia brasileira, por meio do Grupo de Turismo Gastronômico.

CONTATOS:

www.facebook.com/brasilamesa
www.twitter.com/brasil_a_mesa
brasilamesa@gastrocomunicacao.com

Fonte: Gastrô Comunicação

Começou  ontem (sexta, 13 de abril), a edição 2012 do Comida di Buteco. Ele acontece simultaneamente em 15 cidades: Belém, Belo Horizonte, Campinas, Fortaleza, Goiânia, Ipatinga, Juiz de Fora , Manaus, Montes Claros, Poços de Caldas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro,  Salvador, São José do Rio Preto e Uberlândia. A décima sexta cidade é São Paulo. A primeira edição na capital paulista acontece em data especial: de 1º de junho a 1º de julho (falei da edição paulistana neste post aqui).

Cerca de 400 botecos vão participar em todo o Brasil. Em Belo Horizonte, onde tudo começou, o queijo Minas será tema para os tira-gostos criados pelos donos de botecos. Em Goiânia, os ingredientes são o barú, a gueroba e o milho. Nas demais cidades, o tema será livre.

Para deixar o leitor com água na boca, segue abaixo a imagem dos petiscos concorrentes em Belo Horizonte. No site do evento é possível conferir em detalhes cada um deles.

Mai informações no site oficial do evento:  http://www.comidadibuteco.com.br/

Na segunda-feira, 2 de abril, foi lançado em São Paulo o Bacalhau da Amazônia. Estive no lançamento, no restaurante Dressing, junto com os camaradas Eron Bezerra, Vanessa Grazziotin e Perpétua Almeida. Foi um grande sucesso de público e crítica. O nosso bacalhau nacionalíssimo e ambientalmente sustentável tem tudo para conquistar o paladar dos brasileiros de todas as regiões.

O chef do Dressing Ednaldo de Santana, em parceria com o chef Felipe Schaedler, do restaurante Banzeiro, de Manaus, elaboraram um menu especial para o lançamento, incluindo um canapé com pirarucu desfiado e farofa de uarini e pacovan servido na escama do peixe; consommé de tucupi com pirarucu seco; um brandade de bacalhau e dois pratos principais: pirarucu amazonense (ao forno com fatias de pimentão, vinho branco e creme de castanha do Pará) e Bacalhau de Pirarucu (com mousseline de mandioquinha, leite de coco e gengibre). Todos ótimos, com destaque para o brandade feito com o pirarucu desfiado glaceado no azeite extra-virgem com zambaione de vinho do Porto branco e acompanhado de batatas, uma combinação complexa mas extremamente agradável.

Nas fotos abaixo, um resumo do que foi o evento. Uma matéria completa sobre o lançamento pode ser lida neste link: Bacalhau da Amazônia chega a São Paulo como exemplo de sustentabilidade 

Um dos movimentos musicais mais importantes da história cultural nacional e o mais emblemático de Minas Gerais – o Clube da Esquina – completa, este mês, 40 anos. Para comemorar a data, o Alfândega Bar, ponto de encontro da classe artística e casa visitada e elogiada por Milton Nascimento e Toninho Horta, lança em seu cardápio nesta quinta-feira, dia 29 de março, um prato exclusivo criado em comemoração à data e que leva o nome do movimento: Clube da Esquina.

O prato, assinado pelo chef Gustavo Queiroz, expressa as tradições culinárias mineiras. “Elaborado com panceta, mandioquinha frita e chips de banana verde, o Clube da Esquina pretende ser a materialização do paladar de todo o sabor musical do movimento”, poetiza Pedro Loureiro, sócio-proprietário do Alfândega Bar.

A história

No final dos anos 1960, quando o Brasil padecia de um enorme retrocesso político-social sob a mão de chumbo da ditadura dos monstruosos generais e o resto do mundo experimentava mudanças profundas provocadas pela radicalização dos movimentos jovens, um grupo de rapazes de extremo talento e notável criatividade reunia-se para tocar, compor, cantar, trocar experiências musicais e conversar sobre política e arte. Entre varias paixões, uma em comum: Os Beatles. Essa turma que se reunia numa esquina do bairro de Santa Tereza, na capital mineira e, volta e meia, corria da policia para o aconchego materno de Dona Maricota, se une em torno de um mesmo ideal e funda o Clube da Esquina. A matriarca amorosa da maior fábrica de gênios da Grande BH, a Família Borges, e personagem inesquecível de uma era, não imaginava que este “Clube” de garotos intrépidos se transformaria em movimento cultural em toda Belo Horizonte, se espalharia pelo país e, a partir de 1972, projetar-se-iam também para o mundo.

Em meados da década de 1960, enquanto a violência racial e o, moralmente inaceitável, conflito do Vietnã agitavam os Estados Unidos, surgiram uma concentração de fenômenos que os analistas sociais passaram a chamar de “Contracultura”; condição sine qua non para que a juventude de classe média começasse a postular idéias e a conduzir-se de modo totalmente oposto aos valores até então apregoados por uma sociedade hipócrita, moralista, racista, consumista e tecnocrata. Logo ganharia força na Europa, principalmente no movimento estudantil Frances com a cultura ocidental sendo amplamente questionada em seus valores políticos e morais, numa espécie de “guerrilha cultural” que contaminava os povos.

Assim como no Brasil,  há séculos repleto de injustiças sociais e pobreza infinita de ideologias e recursos próprios. Esse movimento de suma importância não tardou a persuadir mentes notáveis de uma juventude que florescia e no surgimento de um Tropicalismo precocemente silenciado e que não teve chance e tampouco tempo para se estruturar e se organizar de modo que pudesse constituir um movimento ou uma “escola cultural” mais sólida…A esperança de um sonho, de esplendor sócio-cultural que nunca veio. Foi nesse caldeirão de influencias e ideologicamente revolucionário que, propositalmente ou não, porém, magnificamente espontâneo, surgiria o Clube da Esquina.Por obra da divina engenharia dos anjos que amam e protegem a Arte como um todo, Milton Nascimento seria amigo da mais tenra infância de outra criança não menos prodigiosa e que amava musica, Wagner Tiso; com quem viajaria o interior mineiro fazendo e levando musica aonde o povo estaria, sedento de novidades. Milton e Wagner atravessariam as fronteiras do sudeste, Milton faria a sua Travessia e ganharia o mundo com Tiso. Mais tarde, o Bituca seria acolhido pela família dos irmãos MarcioTelo,SolangeMarilton e todo o musical Clã dos Borges. Começaria ali “uma linda história de amor e música”, como diria “seu” Salomão, pai como poucos e genitor desta “academia de arte fraternal”.

A partir do contato de foro íntimo com a beatleamania e o Rock Progressivo, da cultura popular, das modas mineiras à religiosidade de belíssimas peças barrocas, surgiria uma musica isenta de rótulos ou gêneros, mas que teria um impacto profundo na Musica Popular Brasileira Contemporânea. Além das composições repletas de harmonia e vocais elaborados e da sofisticação de arranjos inesquecíveis, outro fato relevante é a facilidade com que esses músicos tinham de tocar juntos, um tocava no disco do outro… Retribuíam a participação e assim seguiu-se por duas décadas. Ao mesmo tempo em que se constituiu num movimento, esse Clube também era um grupo, o que confunde ainda muita gente. É bastante comum ouvir por aí coisas do tipo: “Beto Guedes? Ah sim… Aquele cara que tocou naquela banda: O Clube da Esquina?”…Não é pra menos: Em 1972, exatamente há 40 anos, com mil idéias na cabeça e o sonho de uma musica que abrangesse sofisticação, beleza harmônica, ideologia e revolução cultural, Milton Nascimento, Lô Borges, Marcio Borges, Beto Guedes (considerado por alguns o mineiro mais Clube da Esquina da MPB), Fernando Brant, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Helvius Villela, Elmir Deodato e Tavito dividiriam as águas da MPB Contemporânea e gravariam  o que seria um dos álbuns mais aclamados da história do Planeta Musica…O grande divisor de águas da MPB Moderna.

Texto reproduzido do blog Arte Vital, editado por Antonio Siqueira, cronista, articulista, músico e pesquisador musical

ABAIXO, VÍDEOS DO DOCUMENTÁRIO CLUBE DA ESQUINA PARTES 1, 2 e 3

Acabo de entrar na fase dos “enta”. Cheguei aos 4.0 neste domingo, 25 de março, e para comemorar data tão especial levei a patroa e as crianças pro Rio de Janeiro, onde eu já estava a trabalho. Entre um e outro passeio de turista, com direito a Cristo Redentor, claro, nós tentamos encontrar lugares bacanas para comer. Os mais legais não cabiam no meu bolso e os que cabiam era decepcionantes.

Mesmo assim, deu pra perceber que a cidade maravilhosa tem cada vez mais boas opções gastronômicas. Agora com a chegada da Le Cordon Bleu, a cidade tem tudo para disputar com São Paulo o título de polo gastronômico. É uma pena que estes movimentos sempre vêm acompanhados de preços exorbitantes. Mas é, de qualquer forma, uma boa notícia.

Reproduzo, abaixo, notícia da agência O Globo, com o contexto da novidade:

Depois de abocanhar o desafio de sediar a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas de 2016 – dois dos maiores eventos esportivos do mundo -, o Rio também quer conquistar o paladar internacional. Le Cordon Bleu (fita azul, em francês), mais famosa escola de culinária francesa, terá sua primeira filial brasileira no município, e as aulas já começam em 2013. A ideia é transformar a cidade em um polo gastronômico na América Latina. O chef francês Roland Villard, que trabalha na cidade desde 1997, dá a dica do tempero para a escolha: a gastronomia precisa de dedicação, paixão e responsabilidade, além de um toque de criatividade – o que não falta ao carioca. Para harmonizar o banquete de novidades, o XXIII Toques e Clochers – mais importante leilão de vinhos da França – vai homenagear o Rio de Janeiro em 2012. Foram escolhidos os três mais premiados chefes da cidade: além de Roland Villard, Claude Troisgros e Roberta Sudbrack. Eles vão preparar um jantar da alta gastronomia com ingredientes como batata baroa, goiabada, banana e feijão para convidados do mundo todo.

A Cordon Bleu vai funcionar em Botafogo, no lugar da antiga escola de enfermagem da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). O termo de cessão do prédio foi assinado este mês pelo governador Sérgio Cabral e pelo presidente da escola francesa, Andre Contreau. O prédio será reformado para receber as novas instalações. As obras, com orçamento estimado em R$ 4 milhões, começam em abril e estão previstas para terminar em seis meses. Durante 20 anos – tempo de cessão inicialmente acordado, o pagamento de custos como luz e água e afins ficarão a cargo da França, mas a parte estrutural ficará por conta do Estado do Rio. Em troca da cessão do prédio, a escola terá 20% das vagas destinadas a alunos da própria Faetec.

“É a primeira vez que a Cordon Bleu vai abrir vagas a alunos de baixa renda. A ideia é democratizar a gastronomia, mostrar que não é algo reservado à elite carioca. Aqui no Brasil, 99% das escolas da área são privadas, e é necessário gastar muito para se formar como chef. Com a chegada da escola, vai ser diferente”, afirmou Roland, conselheiro e representante executivo da escola de gastronomia Cordon Bleu Internacional. “O Rio vai receber pessoas do mundo inteiro para as Olimpíadas, por exemplo. Para desenvolver uma cidade, é excepcional desenvolver sua gastronomia”.
A renomada chef de cozinha Roberta Sudbrack faz coro quando o assunto é democratizar a área. Para ela, seria produtivo refletir sobre uma formação que deixe de lado certo excesso de “glamourização da profissão”: “Cozinha é suor, é batente pesado e chão para lavar, apreender. Não dá para já sair da escola em um dia e, no outro, achar que vai ficar famoso, como o francês Alain Ducasse ou o nosso brasileiríssimo francês Claude Troisgros. É uma trajetória que exige muito trabalho, e as escolas de gastronomia precisam ter essa dimensão e preparar cada aluno desde o início para uma realidade que requer muita força de vontade, persistência, mas, acima de tudo, vocação, como qualquer profissão”.

A ideia é que a unidade no Rio atraia brasileiros e outros estudantes da América Latina. A outra filial na região está em Lima, no Peru. Atualmente, no total, há 44 escolas Cordon Bleu distribuídas por 17 países. De acordo com Roland, mais de mil brasileiros já se formaram na escola de Paris. A primeira turma no Rio terá 480 vagas, mas, no futuro, a escola poderá formar até 800 estudantes por ano. A oferta gastronômica faz parte do crescimento de uma cidade, além de influenciar o turismo e demais interesses externos.

“Com os muitos investimentos que têm chegado e chegarão nos próximos quatro anos, por causa dos maiores eventos esportivos mundiais, inaugurou-se uma nova era de crescimento na cidade. Portanto, vejo como acertada a escolha do Rio para a instalação de uma escola de gastronomia do prestígio da Cordon Bleu, pois a formação de mão de obra é um grande gargalo ao desenvolvimentode vários setores da economia”, afirmou Roberta.
Para a escolha do Rio como sede da Cordon Bleu brasileira, Roberta não deixa de citar a carência de escolas profissionais da área como uma característica. Ela exalta o mercado em expansão – que já precisa e ainda precisará de mais profissionais capacitados -, além da atmosfera carioca: “O Rio é vanguarda, o que estimula projetos inovadores e que poderá influenciar uma Cordon Bleu renovada e conectada não só com uma culinária atual, mas, fundamentalmente, com a moderna cozinha brasileira, incorporando à sua excelência todo um conhecimento novo que já é produzido por aqui”, observou a chef de cozinha, que ainda citou trecho de música de Adriana Calcanhoto que virou ′hit`: `cariocas são bacanas`.

Os professores ainda serão escolhidos. Segundo Roland, eles terão pelo menos 12 anos de experiência e aplicarão as técnicas da culinária francesa em sala de aula. Os docentes passarão por uma seleção, em que serão analisadas experiência, técnica e estado mental. Haverá preparação de linguagem, para que não haja dificuldade de compreensão entre professor e aluno. “Se for preciso, teremos tradutor em sala de aula”, afirmou o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, que está por trás da instalação da Cordon Bleu no Rio. “O problema de nossa gastronomia é que você sai da Zona Sul e não há formação técnica na Baixada, em Madureira, Campo Grande. Quando você vai para outros países, você tem gastronomia de qualidade em diferentes classes sociais. Nós queremos pegar um cozinheiro de bolinho de bacalhau de Piedade para amanhã ele ser um formador mão de obra. É necessário o funcionário saber sobre higiene e ter cuidados ao manusear equipamentos”.

O Rio se mostra, então, como uma nova opção de escolha de uma boa mesa. Na última edição do Guia 4 Rodas, a maior parte dos restaurantes três estrelas está em terras cariocas. Na premiação, são atribuídas de uma a três estrelas a estabelecimentos gastronômicos. São Paulo, que sempre ofereceu diversidade e qualidade em cada esquina de suas ruas movimentadas, continua com seu primeiro posto como polo gastronômico do Brasil. E os chefes cariocas parecem não se importar com a liderança. “Há uma migração de excelentes referências da gastronomia paulista para cá (Rio). Todo esse movimento só é positivo, pois amplia a oferta e nos estimula a ser cada vez melhores. A diversidade e a multiplicidade da culinária brasileira não comportam apenas um ícone central da nossa gastronomia”, afirma Roberta Sudbrack. “O importante para o desenvolvimento desse setor, tanto no aspecto da indústria do turismo, da cultura e do entretenimento, são as cidades começarem a ver a gastronomia como um valor que tem grande potencial econômico, mas também agregador e de identidade nacional. E, nesse sentido, é muito bom que as referências gastrômicas estejam se espalhando”.

“Todo mundo está interessado no Rio, pois sente que há um ponto de gastronomia interessante por aqui. Todos os chefes estão interessados em ficar na cidade. O Rio é a porta de entrada do Brasil. As pessoas que vêm ao país não podem pensar em não vir ao Rio”, observa o chef Roland. “Eu escolhi ficar no Rio, pois é uma cidade mística para qualquer francês”.

O secretário Alexandre Cardoso afirma que o Rio realmente está se tornando um polo gastronômico, quando “comer é atividade fim, e não atividade meio”. E vai além: “Eu acho que o Rio de Janeiro, dentro de três anos, vai ser o polo gastronômico da América Latina. Pelo que está previsto, os donos do Cordon Bleu querem emoção, querem beleza, movimento. Comer tem que ter prazer, e os cariocas fazem as coisas com prazer. O Rio vai começar a ser sede de congressos. Todo mundo está falando em Copa do Mundo e Olimpíadas, mas o legado que o Rio vai deixar é um centro mundial de eventos”.

Fonte: Agência O Globo

 

Em meio aos preparativos das comemorações dos 90 anos do PCdoB, recebi por e-mail o release sobre um outro aniversariante nascido em 1922 e que agora completa nove décadas: o restaurante paulistano Ponto Chic.

Eu já escrevi sobre ele e sobre seu quitute mais famoso, o sanduíche bauru, nesta crônica aqui. Minha visão sobre o Ponto Chic é um pouco menos romântica que a do colega jornalista Angelo Iacocca, que escreveu o livro Ponto Chic - um bar na história de São Paulo. Mas não tem como não reconhecer que o Ponto Chic é um patrimônio da história gastronômica de São Paulo e vale a pena conhecer sua história.

Segue, abaixo, o release sobre o lançamento do livro:

 

Livro resgata a história de um dos mais emblemáticos locais de encontro da cidade de São Paulo, o Ponto Chic

Inaugurado em 1922, no Largo do Paissandu, em plena ebulição artística e social da cidade, o Ponto Chic se tornou um dos destinos mais famosos de São Paulo. Sua trajetória se mistura com a história da cidade e acompanhou sua evolução. Para mostrar esse percurso, a Editora Senac São Paulo publica Ponto Chic - um bar na história de São Paulo, de autoria do jornalista Angelo Iacocca. O lançamento acontece dia 24 de março – data em que o bar completa noventa anos –, a partir das 17 horas, no bairro de Perdizes (Largo Padre Péricles, 139).

A ideia da obra surgiu quando José Carlos Alves de Souza, proprietário do estabelecimento, observava seus filhos discutirem fatos históricos de São Paulo. “Notei a falta de conhecimento que existe entre os jovens sobre o lugar em que vivem. Naquele momento, cresceu a vontade de fazer uma homenagem à cidade, contando também a origem do PontoChic”, relata Alves. Foi então que convidou o jornalista Angelo Iacocca para dar corpo ao projeto. Iacocca peneirou documentos históricos, vasculhou curiosidades e colheu depoimentos de antigos frequentadores, artistas, políticos, jornalistas e escritores.

Com apresentação de Ignácio de Loyola Brandão, também um grande apreciador do bar, o título traça os principais momentos do desenvolvimento de São Paulo, seus movimentos políticos e artísticos, além da transformação de uma pacata cidade provinciana em uma das maiores metrópoles do mundo. A obra tem início com um breve panorama do começo do século XX, concentrando-se, nos capítulos seguintes, nas décadas de 1920 a 1960. Passa também pela decadência do centro, em 1970, e pelas mudanças urbanas sofridas desde então.

Nos capítulos finais, Iacocca relata como a degradação gradual do centro de São Paulo, a partir de 1970, levou ao fechamento do Ponto Chic.  O autor conta a tristeza de muitos funcionários, que chegaram a destruir parte das instalações. Mostra ainda como o estabelecimento ressurgiu, já nas mãos dos atuais donos, em 1978, no bairro de Perdizes, para posteriormente reabrir no Paissandu novamente, no mesmo número onde surgiu em 1922.Para complementar a obra, o livro traz também as clássicas receitas do local, entre elas o bauru, o mexidinho, o sanduíche rococó (com gorgonzola), a fritada e o pudim.

Agito cultural e gastronômico no Paissandu

Enquanto acontecia a Semana de Arte Moderna, em 1922, o italiano Odílio Cecchini abria um bar no coração da boemia paulistana. Sem nome na fachada, o local logo atraiu a elite e os intelectuais da cidade. Por conta da decoração, com azulejos franceses e balcão de mármore, passou a ser carinhosamente chamado de lugar chique até ser batizado oficialmente de Ponto Chic. “Convergiam para lá quase todos os integrantes do Movimento Modernista, em especial, Mario e Oswald de Andrade, Raul Bopp, assim como os antimodernistas, encabeçados por Monteiro Lobato”, revela Iacocca.

Ao longo do tempo, o bar foi palco de conspirações políticas e quintal dos estudantes do Largo São Francisco. Em suas mesas torcia-se pela Revolução Constitucionalista e mais tarde pela queda de Getúlio Vargas. Na década de 1940, atrairia também jogadores de futebol, como Leônidas, e jornalistas esportivos, entre eles Blota Júnior, além de contar, em primeira mão, com a edição de segunda-feira da Gazeta Esportiva – que estava disponível por lá antes mesmo de chegar às bancas. Na década de 1950, Adoniran Barbosa e os integrantes do grupo Demônios da Garoa eram presença constante nas mesas do Ponto Chic, onde costumavam saborear o popular bauru acompanhado por chope, além de cantarolar novas composições.

“O Ponto Chic foi a instituição mais democrática que conheci, igualava classes socais, promovia a solidariedade. Dia e noite, cheio, barulhento”, relembra  Loyola Brandão.

 

Nascimento do bauru

A criação do sanduíche mais famoso da cidade mereceu muitas versões, e no livro, Angelo Iacocca apresenta todas elas, em depoimentos de antigos frequentadores, garçons e de parentes do estudante de Direito que criou o bauru: Casimiro Pinto Neto, conhecido pelo apelido de Bauru, por ter nascido nessa cidade do interior paulista. Foi numa noite de 1936, durante uma vigília dos estudantes, que Casimiro pediu ao chapeiro Carlos para montar um prato com pão francês, queijos derretidos, rosbife e tomate. A receita se transformou em coqueluche e até hoje é a principal atração do Ponto Chic. O pepino, que faz parte da versão atual do sanduíche, foi inserido só nos anos 1950.

Serviço:

Ponto Chic – um bar na história de São Paulo

Autor: Angelo Iacocca

Editora: Senac São Paulo

Preço: R$ 49,90

Número de páginas: 242

Lançamento: 24/3, sábado

Horário: 17 horas

Local: Ponto Chic – Perdizes. Largo Padre Péricles, 139

Outras seções de autógrafos:

27/3, 3ª, às 19 horas, unidade Paraíso – Praça Oswaldo Cruz, 26.

30/3, 6ª, às 19 horas, unidade Paissandu – Largo do Paissandu, 27

10/04, 3ª, às 19 horas, unidade Ribeirão Preto – R. Conde Afonso Celso, 1405

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