May 17, 2011 | In: Lugares bacanas

Sob nova direção, Cu do Padre está mais limpinho

O Cu do Padre continua aberto. Agora está mais limpinho. Mas também ficou um pouco mais caro tomar lá. Não fique chocado. Isso é apenas a resenha da visita que fiz neste sábado (14) ao famoso Bar das Batidas, no Largo de Pinheiros. O boteco ganhou o apelido de “Cu do Padre” pois fica bem atrás da Igreja de Pinheiros, que oficialmente também tem outro nome: Nossa Senhora de Mont Serrat.

O boteco funciona desde a década de 50 –alguns dizem que foi aberto em 1954, outros dizem que foi em 1957– não se sabe, mas o fato é que lá se vão mais de 50 anos fazendo história junto aos boêmios paulistanos. Depois que foi “descoberto” por um crítico gastronômico que lhe deu o apelido sacana, o bar passou a atrair a atenção de muita gente. Botequeiros e baladeiros de todos os cantos passaram a frequentar o boteco simplão que tinha como carro chefe as batidas, os petiscos, sobretudo o lanche de calabresa, e a simpatia dos antigos donos, os “sócios”. Eles chamavam todo mundo assim, de “sócio”. Com um malabarismo divertido, preparavam as batidas dos clientes. Entre uma frase e outra, sempre intercalavam a palavra “câmbio”, usada nas comunicações radiofônicas.

Os sócios se foram. O último a se despedir foi o senhor Narciso Moreno, que faleceu no final de fevereiro de 2009, numa segunda-feira de carnaval. A partida dele, porém, não foi ainda o câmbio final para o bar, que continuou sendo tocado por algum tempo pelo filho dele, o Júnior. Músico, Júnior manteve a tradição, a “decoração”, a receita das batidas e dos petiscos, mas depois passou a bola. Continua sócio, mas agora quem toca o lugar é o jovem Rubens e seu tio. A dupla faz um esforço para manter as características do boteco cinquentão.

Os provolones, embutidos e garrafas pretejados pelo tempo continuam decorando o teto e dando um charme nostálgico ao boteco. Só que ele está mais limpinho, mais arrumadinho — e a clientela agradece, afinal para ser rústico e simples não precisa ser sujo.  Portanto, ponto positivo para os novos sócios.

A confecção das batidas não tem o charme do malabarismo do seu Narciso, mas continuam boas e seguem batizadas com o nome de personagens de novelas da Globo. Para quem gosta de bebida doce, é uma ótima pedida. Mas achei o preço um pouco caro. Para valer os R$ 9,00 que são cobrados por cada batida, elas teriam que ter pelo menos o dobro do tamanho. No copinho minúsculo em que são servidas, R$ 5 ou R$ 6 seria um preço mais justo.

Mas não é porque o boteco chama Bar das Batidas que você tem que ir lá só por causa delas. Cervejas de garrafa, uísque, cachaças, caipirinhas e todos os tragos tradicionais de um bom boteco também estão no cardápio, a preços de boteco mesmo, juntamente com as “iguarias”: os lanches de calabresa, as porções e os belisques tradicionais como tremoço, picles, ovos de codorna, amendoim, azeitonas, queijos…

A galerinha jovem universitária e baladeira que frequentava o bar nos anos 80 e 90 –quando aquela região de Pinheiros ainda concentrava um bom número de casas de shows, como o Aeroanta– agora subiu alguns quarteirões, foram para os bares da Vila Madalena, e a clientela do Cu do Padre já não é mais tão festiva. Ainda assim, continua visitado por parte da velha guarda e alguns curiosos, atraídos pela história bacana do lugar.

Quem for conhecer o bar pela primeira vez ou for revisitá-lo, vai perceber pelas novas mesinhas na calçada, pelo letreiro mudado de lugar, pela lousa-menu, pelos novos itens do cardápio, pela arrumação mais caprichada… que o Cu do Padre já não é mais o mesmo, mas continua valendo o passeio. Lá você ainda vai encontrar o mesmo climão de boteco e a simpatia no atendimento que  garantem um ambiente descontraído e confortável para um beberico no final da tarde durante a semana e nas noites e madrugadas de sábado.

O novo sócio é Palmeirense e fez questão de “marcar” território colocando o emblema no seu time na vitrine cinquentona. Mas manteve o respeito pela devoção do antigo dono corinthiano, e os símbolos do Timão permanecem ali na estante, acumulando “história” para um dia juntarem-se às pretejadas garrafas e provolones.

Serviço
Bar das Batidas
R. Pe. Carvalho, 799 – Pinheiros – Oeste.
Telefone: 7846-3749

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5 Responses to Sob nova direção, Cu do Padre está mais limpinho

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Cintia Oliveira

May 18th, 2011 at 1:12 am

Muito legal seu post! Depois dá uma olhada na minha matéria e me diga se cheguei à sua altura, ok. Abs!

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Cláudio Gonzalez

May 18th, 2011 at 3:42 am

Oi Cintia
Que bom que vc vem me visitar de vez em quando neste blog. Estou muito curioso para ver sua matéria. Onde encontro? Está nas bancas? Muita modéstia a sua. Qualquer coisa que você faça sempre estará muito à frente das coisitas que publico por aqui. Um abração. Cláudio

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Paulo Cavalcanti

September 24th, 2011 at 10:56 am

Prezado Cláudio,

Muito legal a matéria. Tomei a liberdade de repicar em meu blog, dando os devidos créditos.

Parabéns, um abraço
Paulinho

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paulo minucci

September 28th, 2011 at 9:58 pm

Quanta lembrança boa, cambio e desligo.

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André

January 25th, 2012 at 7:34 pm

Olá Claudio. Já fui ao cu do padre. Conheço o antes e o depois da faxina. Ele ainda mantém o ar nostálgico original só que “embrulhado para presente”. Confesso que nunca, em tempo algum, experimentei qualquer batida, mas cerveja e ovo de codorna já foram vários. Muito legal seu post, deu até saudade. Quando for a SP de novo, certeza que irei.

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